domingo, 11 de agosto de 2013

Infeliz Dia Dos Pais


 Deveria ser um dia alegre, apenas um reencontro. Um reencontro feliz, divertido uma lembrança boa. Mas aqui estou eu, com um lápis, um caderno e uma única forma de me expressar.
 Sozinha em casa apenas com soluços, um cachorro e uma péssima lembrança do dia dos pais, por que minha mãe saiu assim como o resto da família e é isso que me resta: escrever.
 Cada palavra que me disse ecoa por minha mente, enquanto minha memória rebobina meus últimos dois anos.
 Como cada sofrimento se acumulou. Você acreditaria se eu dissesse que choro somente duas vezes por ano e que a maioria das vezes é por sua causa? Algumas pessoas diriam que é sorte chorar tão pouco, mas elas nem imaginam o quanto machuca.
 Uma vez ouvi falar que as pessoas mais caladas são as que tem mentes mais ruidosas. Nunca fui quieta, mas se qualquer pessoa ouvisse o que penso diria "Isso é alguma poluição sonora?".
 Eu queria para de odiar a mim mesma por não conseguir te odiar. Eu queria parar de me odiar por fingir que você não existe, por que por incrível que pareça eu te amo.
 Será que não entende que odeio celular por sua causa, por dar atenção mais a ele do que a mim? Será que não entende que eu não te quero ver pelo simples fato de lembrar que não viver mais comigo?
 Por que você pode simplesmente entender que as redes sociais não me fazem feliz exatamente por elas te fazerem feliz?
 Quando falam: "Ei! Vai fazer o que nesse feriado?" eu respondo "Nada demais." não é atoa. Quando seu rosto me vem a mente as lembranças de me enfiar em livros fictícios para viver em outro mundo e de seus gritos me arrancando dos mesmos, são dolorosas.
 O fato de eu ter o para as artes nunca te impressionou por que você é ignorante e jamais irá me aceitar do jeito que sou.
 Por que não podes ser como os pais dos comerciais e de filmes? Por que não pode ser o pai que eu tinha infância? Você realmente era dócil nessa época ou mudou com o tempo? Acho que ninguém pode se tornar tão cruel, a ponto de estragar um feriado, do dia para noite.
 Você diz que eu não vejo seu lado... Você viu o meu lado quando traiu a sua família e me magoou? É eu acho que não. Você falava "Ore por mim" eu orava, mas e você? Será que rezava por mim?
 Como eu disse... Chorar pouco não é sinônimo de felicidade. Na verdade dói muito mais que chorar todos os dias. Eu costumo fazer meus personagens sofrerem com isso, mas sinceramente eu já havia me esquecido como é ter soluços em meio as lágrimas. Muito obrigada por me lembrar, espero que sinta a ironia na frase.
 Agora, as pessoas estão chegando e casa e eu necessito esconder minha sede por abraços, assim com necessito esconder as gotas salgadas dos meus olhos. Foi sempre assim e sempre será, só tem uma diferença dessa vez, começarei a fingir que você nunca existiu. Começarei a fingir que esse dia nunca aconteceu, que essas lágrimas nunca jorraram, fingirei que nunca te tive na árvore genealógica.
 Só assim prometerei a mim mesma que nunca mais chorarei por você, pai.

Giu Pereira



sexta-feira, 9 de agosto de 2013

*Eu*


 É como se eu gritasse, esperneasse, chorasse e implorasse. Como se pedisse para ser alguém. Como se quisesse de algum modo que alguém me visse e simplesmente entendesse.
 Eu me pergunto, "pra que sonhar?" Ou melhor: "Por que sonhar dói tanto?" se sonhar fosse fácil, seria profissão.
 Cansar de ser invisível não tem dado em nada, assim como tentar mudar minha "sem-gracice" não tem mudado droga nenhuma.
 Eu digo que sou uma Guerreira Livre, que levantei, mas eu realmente estou de pé? Viver é diferente de sobreviver, como minha vida está então?
 Se sentir vazia é a pior sensação do mundo. Eu preferiria me sentir triste ou qualquer outro sentimento ruim do que não sentir nada. Lágrimas verdadeiras valem mais que sorrisos falsos. Não conseguir sentir é um sintoma da sobrevivência.
 Às vezes gostaria de ser uma estrela e somente brilhar, nunca cair. Sempre lembrada nunca esquecida. Tenho medo de não deixar uma marca, de simplesmente morrer e virar pó, sem história.
 Eu queria voltar a se a antiga "eu" a garota positiva e alegre que acreditava em tudo. A garota que não conhecia o mundo que só conhecia o lado bom da vida.
 Sinto falta dessa garota e de como seus sorrisos eram sinceros e suas gargalhadas eram altas por natureza. Sinto falta da alegria que lhe acometia sempre que uma situação boa começava, de como era fácil se expressar e em como as pessoas a escutavam. Sinto falta de vê-la viver.
 Eu não quero mais ser essa garota. A garota que se transformou diante das circunstâncias. A garota que é fria, que não sente, que não demonstra quem é, a garota não ouvida, a garota que sobreviveu.
 A intensidade das emoções não é mais a mesma. É como se eu gritasse, esperneasse, chorasse, implorasse e ninguém devolvesse o meu eu.

Giu Pereira