Eram exatamente uma e quarenta e cinco da
tarde. Eu havia acabado de almoçar e me encaminhava para mais uma aula de
dança. O cabelo preso em um rabo de cavalo remexia-se de um lado para o outro.
A garrafinha de água gelada em minha mão e a sombrinha me acompanhava apenas
como prevenção ao dia nublado.
Havia pego a carteirinha de passe e colocado
no bolso do short, sai de casa às pressas e observando o relógio a cada um
minuto por estar atrasada. O ponto de ônibus na esquina de casa continha apenas
um rapaz e ninguém mais devido ser um dia de sábado.
O homem olhou-me dos pés a cabeça e voltou a
se encostar no poste. Ele revirou os olhos e perguntou:
- Você sabe se tá passando ônibus hoje?
- Moço eu não sei, com essa paralisação sai de
casa com dúvida.
Voltei minha atenção à curva por onde todos os
veículos passavam. Passou-se uns nove minutos e nenhum ônibus deu as caras.
Acabei desistindo e pegando a primeira lotação
que avistei prometendo a mim mesma que voltaria de ônibus e guardaria ao menos
R$ 2,75.
Fui com a certeza que chegaria na aula no
horário. Cinco minutos depois cheguei no ponto próximo à academia de dança
praticamente correndo passei pela igreja mal dando importância a ela.
Cheguei ofegante, cumprimentando meus
companheiros e amigos. Passei cerca de duas horas ensaiando todas as
coreografias. Quando voltei ao banheiro para retirar a calça de lycra e vestir
o short jeans, coloquei as mãos no bolso e não encontrei a carteirinha.
- Minha Virgem Misericórdia! – Exclamei
assustada.
Revirei a academia por inteiro e ainda
coloquei todos os alunos a procurar pela mesma. Procurei pela bolsa, no
banheiro e em todos os lugares possíveis.
O desespero foi tão grande que sai mais cedo
voltando pelo mesmo caminho que havia vindo embaixo de chuva. Qualquer papel
branco e molhado chamava minha atenção.
Passei pelo ponto e diante da igreja rezando e
pensando na bronca que levaria logo que contasse o acontecido para minha mãe.
A lembrança de passar uma tarde para
recadastrar a carteirinha de ônibus me atormentava.
Voltei ao ponto de ônibus desapontada e em
frente à igreja católica com a sombrinha azul e florida, quase sem efeito,
acima de minha cabeça.
Eu estava orando em voz baixa pedindo que ele
tivesse piedade de mim quando chegasse em casa.
Quando a lotação passou entrei nela conformada
com tudo e desanimada. Foi quando olhei para o motorista de idade, com cabelos
brancos e calvos. O rosto literalmente me lembrava uma ameixa.
Era o mesmo motorista que eu havia vindo.
Meu coração se encheu de alívio no momento em
que me virei no acento para ver o mesmo lugar que vim sentada. A carteirinha
continuava intacta entre o acento e a porta a ponto de cair.
Olhei para o céu e falei:
- Você é muito irônico, quando quer.
'Xoxo Giu Blue
Baseado em histórias reais. kkkkkk

Nenhum comentário:
Postar um comentário